quinta-feira, 14 de março de 2019

CONVITE: Segunda Tertúlia de Leitura - Dia da Árvore e da Poesia


Convidamos a comunidade educativa a participar na segunda Tertúlia de Leitura, que se realiza no dia 21 de março, Dia Mundial da Árvore e da Poesia, pelas 19 horas, na sala AN04 da Escola Secundária da Moita.
Este evento insere-se no projeto LER+ Qualifica, do Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas da Moita em articulação com a Biblioteca Escolar

domingo, 10 de março de 2019

Encontro com o Escritor Gonçalo Naves


Conheça um livro e a sua autora


Semana da Leitura no Agrupamento de Escolas da Moita




Concurso Nacional de Leitura



No passado dia 12 de fevereiro realizou-se a Segunda Fase do Concurso Nacional de Leitura - Fase Municipal, na qual as alunas e os alunos do Agrupamento de Escolas da Moita, do primeiro, segundo, terceiro ciclos ao secundário participaram ativamente.
Em todos os ciclos as nossas alunas e os nossos alunos receberam menções honrosas; e quatro alunas do 3º ciclo e secundário foram apuradas para a Terceira Fase- Fase Intermunicipal, que se realizará no dia 4 de maio em Oeiras.

Parabéns a todas as alunas e alunos pela boa prestação.
E parabéns também às alunas e aos alunos apoiantes que com a sua energia tornaram este concurso numa imensa celebração da leitura.



   

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

LER+ QUALIFICA


OLHARES
No presente ano letivo de 2018/2019 o Centro Qualifica em parceria com a Biblioteca Escolar da Escola Secundária da Moita desenvolve o projeto Ler+ Qualifica.
No âmbito deste projeto serão levadas a cabo diversas atividades de leitura e literacias.

Para aguçar o apetite, deixamos aqui o texto da formanda Sónia Rodrigues.


Paulo Coelho é um dos meus escritores preferidos. Nasceu a 24 de agosto de 1947, é de
nacionalidade brasileira mas  vive em Genebra, na Suíça, desde 2007.
Nascido numa família de classe alta, aos sete anos, entra no colégio Santo Inácio, no Rio de Janeiro, onde participou em concursos de poesia e cursos de teatro.
Consta-se que Paulo Coelho tinha brigas com os pais devido ao seu gosto pela escrita. O pai queria que ele fosse engenheiro, mas este contrariava-o, talvez por isso, teve muitas crises de depressões na adolescência, tendo sido internado três vezes em clínicas de repouso, onde foi tratado por psicólogos.
Profissionalmente, na década de 1960, entrou para o mundo do teatro como diretor e ator, além disso, exerceu também a função de jornalista em publicações alternativas com as revistas “A Pomba” e “2001”. Também compôs para diversos intérpretes tais como Elis Regina, Rita Lee, entre outros.
A edição do seu primeiro livro, em 1982, Arquivos do Inferno, não teve a repercussão desejada. Católico não praticante, em 1986, Paulo Coelho fez a viagem de peregrinação pelo Caminho de Santiago. Percorreu quase 800 quilómetros desde o Sul de França até à cidade de Santiago de Compostela, na Galiza, experiência de que lhe permitiu observar detalhes importantes para o seu livro O Diário de um Mago, editado em 1987.
Em 1988, publicou O Alquimista, que se veio a transformar num dos livros brasileiros mais vendidos. Esta obra é um dos mais importantes fenómenos literários do século XX, chegou ao primeiro lugar da lista dos mais vendidos em 18 países. Já vendeu até ao momento 83 milhões de exemplares.
Guinness Book of Records coloca-o como o autor vivo mais traduzido da história, pois  as suas obras foram  traduzidas para 81 idiomas. É considerado o autor, em língua portuguesa,  mais vendido de todos os tempos.
Em setembro de 2007, a ONU galardoou o escritor pelo seu novo romance,  Mensageiro de Paz, durante a cerimónia de comemoração do Dia Internacional da Paz, em Nova Iorque”.


De facto, o Alquimista, foi sem dúvida um livro que me marcou muito, num determinado momento da minha vida, inclusivamente, até tatuei a expressão árabe “Maktub” utilizada nesse livro, que significa “tinha de acontecer” ou “o que está escrito”.
Este livro narra a história de um jovem que se chama Santiago, um pastor de ovelhas que tem capacidades imaginárias. Numa noite, ele sonhou com um tesouro escondido nas pirâmides de Egipto. Ao princípio, Santiago ignorou o sonho, até que encontrou o velho rei, na cidade de Tarifa, o qual lhe disse para ele seguir o seu sonho. Então, Santiago vende tudo o que tem e vai à procura do seu tesouro.
 Viajou para Tânger, onde, por causa da sua ingenuidade, foi roubado. Depois disso, ele arranjou um emprego numa loja de cristais, onde conseguiu juntar algum dinheiro para continuar  a sua jornada pelo deserto à procura do seu tesouro. Ao chegar ao Oásis, conheceu Fátima, por quem se apaixonou. Nessa altura, conhece também um alquimista que o ajudou a encontrar aquilo que tanto procurava.
A história acaba por nos revelar que o tesouro está onde estiver o nosso coração e o tesouro era a jornada feita no interior de si próprio, as descobertas feitas e a sabedoria adquirida.
Com este livro, Paulo Coelho mostra que o verdadeiro sentido da alquimia não é aquele que transforma o metal em ouro, mas sim aquele que nos leva ao coração e à razão. Também nos mostra a importância de estarmos atentos aos sinais.
Esta obra foi muito importante para mim pois, como já referi anteriormente, até me levou a tatuar no meu corpo uma expressão escrita no livro, que tanto significado tem para mim. Serviu-me de autoajuda numa fase da minha vinha em que me sentia perdida e sem rumo, ajudou-me a ultrapassar os problemas e a ver a vida noutra perspetiva. Ensinou-me a lutar por aquilo que quero e a não pensar que não vou conseguir.

 Seguidamente, apresento alguns excertos retirados do livro O Alquimista, os quais  de    alguma forma   me marcaram pela  mensagem  que passam  e, por isso, os   considerei importantes na caminhada desta leitura.
“Temos que estar sempre preparados para as surpresas do tempo.”
“É justamente a possibilidade de realizar um sonho que torna a vida interessante.”

“… Porque todas as pessoas têm uma noção exata de como devemos viver nossa vida. E nunca têm noção de como devem viver a própria vida.” 
“… É aquilo que sempre desejou fazer. Todas as pessoas, no começo da juventude, sabem qual é sua Lenda Pessoal. Nessa época, tudo é claro, tudo é possível, e elas não têm medo de sonhar e desejar tudo aquilo que gostariam de fazer na vida. Entretanto, á medida que o tempo vai passando, uma misteriosa força começa a tentar provar que é impossível realizar a Lenda Pessoal.”

“… São as forças que parecem ruins, mas na verdade estão ensinando a você como realizar sua Lenda Pessoal. Estão preparando seu espírito e sua vontade, porque existe uma grande verdade neste planeta: seja você quem for ou o que faça, quando quer com vontade alguma coisa, é porque esse desejo nasceu na alma do universo. É sua missão na terra.”
“As pessoas aprendem muito cedo sua razão de viver. Talvez seja por isso que elas desistem tão cedo também. Mas assim é o mundo.”

“Se você sair prometendo o que ainda não tem, vai perder a vontade de consegui-lo.”
“… para ela todos os dias eram iguais, e quando todos os dias ficam iguais é porque as pessoas deixaram de perceber as coisas boas que aparecem em suas vidas sempre que o sol cruza o céu.”

“… Para chegar até elem você terá de seguir os sinais. Deus escreveu no mundo o caminho que cada homem deve seguir. É só ler o que ele escreveu para você.”
“… procure sempre tomar suas decisões.”

“Se Deus conduz tão bem as ovelhas, também conduzirá o homem.”
“… porque ás vezes as coisas mudam na vida no espaço de um simples grito, antes que as pessoas possam se acostumar com elas.”

“Sou como todas as pessoas: vejo o mundo da maneira que desejava que as coisas acontecessem, e não da maneira que as coisas acontecem.”
“… Sentiu também que podia olhar o mundo como uma pobre vítima de um ladrão ou como um aventureiro em busca de um tesouro.”

“Não tinha um centavo no bolso, mas tinha fé na vida. Havia escolhido, na noite anterior, ser um aventureiro igual aos personagens dos livros que costumava ler.”
“Nem todos podem ver os sonhos da mesma maneira.”
“… Era a linguagem do entusiasmo, das coisas feitas com amor e com vontade, em busca de algo que se desejava ou em que se acreditava.”

 “Ainda estava em dúvida quanto á sua decisão, mas percebia uma coisa importante: as decisões eram apenas o começo de alguma coisa. Quando alguém tomava uma decisão, na verdade estava mergulhando numa correnteza poderosa, que levava a pessoa para um lugar que jamais havia sonhado na hora de decidir.”

 “… ninguém sente medo do desconhecido, porque qualquer pessoa é capaz de conquistar tudo o que quer e necessita. Só sentimos medo de perder aquilo que temos… Mas esse medo passa quando entendemos que nossa história e a história do mundo foram escritas pela mesma Mão.”

“Quando você deseja algo de todo o seu coração, você está mais próximo da Alma do Mundo. Ela é sempre uma força positiva.”
“… Porque não vivo nem no meu passado, nem no meu futuro. Tenho apenas o presente, e ele é o que me interessa. Se você puder permanecer sempre no presente, então será um homem feliz… A vida será uma festa, um grande festival, porque ela é sempre e apenas o momento que estamos vivendo.”

“O que funcionava, sabia ele, era o teste da persistência e da coragem de quem busca sua lenda pessoal. Por isso ele não podia ficar impaciente. Se agisse assim, ia terminar sem ver os sinais que Deus havia posto no seu caminho.”
“… ele entendeu a parte mais importante e mais sábia da linguagem que o mundo falava e que todas as pessoas na terra eram capazes de entender em seus corações. E isto era chamado de Amor, uma coisa mais antiga que os homens e que o próprio deserto, e que, no entanto, ressurgia sempre com a mesma força onde quer que dois pares de olhos se cruzassem.”

“Porque o futuro pertence a Deus e Ele só o revela em circunstâncias extraordinárias. E como consigo adivinhar meu futuro? Pelos sinais do presente. No presente é que está o segredo; se você prestar atenção ao presente, poderá melhorá-lo. E se você melhorar o presente, o que acontecerá depois também será melhor. Esqueço o futuro e viva cada dia de sua vida nos ensinamentos da Lei e na confiança de que Deus cuida dos seus filhos. Cada dia traz em si a Eternidade.”

“… Quando Ele mesmo o mostra. E Deus mostra o futuro raramente e por uma única razão: é um futuro que foi escrito para ser mudado.”
“Ama-se porque se ama. Não há qualquer razão para amar.”

“Escute seu coração. Ele conhece todas as coisas, porque veio da Alma do mundo e um dia retornará para ela.”
“… Ninguém consegue fugir do seu coração. Por isso é melhor escutar o que ele diz. Para que jamais venha um golpe que você não espera.”

“… Disse que todo homem feliz era um homem que trazia Deus dentro de si.”
“Sempre antes de realizar um sonho, a Alma do mundo resolve testar tudo aquilo que foi aprendido durante a caminhada. Ela faz isso não porque seja má, mas para que possamos, junto com o nosso sonho, conquistar também as lições que aprendemos seguindo em direção a ele. É o momento em que a maior parte das pessoas desiste…”

“Uma busca começa sempre com a sorte de principiante. E termina sempre com a prova do conquistador.”
“Quem interfere na lenda pessoal dos outros nunca descobrirá a sua.”
“Só uma coisa torna um sonho impossível: o medo de fracassar.”

“… quando buscamos ser melhores do que somos, tudo em volta se torna melhor também.” 
“Somos nós que alimentamos a alma do mundo, a terra onde vivemos será melhor ou pior se formos melhores ou piores. Aí que entra a força do amor, porque, quando amamos, sempre desejamos ser melhores do que somos.”

“Tudo o que acontece uma vez, pode nunca mais acontecer. Mas tudo o que acontece duas vezes, acontecerá certamente uma terceira.
Neste valor está também incluído um valor mensal que eu ponho de parte, para pelo menos uma vez por ano fazer uma viagem, que é também uma coisa que tanto eu como o meu marido gostamos muito de fazer.

Sónia Rodrigues 

LER+ QUALIFICA - Tertúlia de Leitura

Convite - Tertúlia de Leitura

Convidamos a comunidade educativa a participar na Tertúlia de Leitura, que se realiza no dia 19 de fevereiro, pelas 19 horas, na Biblioteca Escolar da Escola Secundária da Moita.
Este evento insere-se no projeto LER+ Qualifica, do Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas da Moita em articulação com a Biblioteca Escolar.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

30 de janeiro - Dia escolar da não violência e da paz

Conselhos para viver em paz e sem violência

A não violência e a paz devem promovidas no dia-a-dia, nas nossas relações interpessoais.
Sabes o que podes fazer para contribuir para um bom clima de escola? Aqui vão alguns conselhos que te podem ajudar.

1. Provavelmente a maneira mais simples de distinguires o bem do mal é perguntares a ti mesmo: "Será que vou magoar alguém ou até a mim mesmo? Será que vou magoar os sentimentos de alguém?" Se sim, então está mal. Se uma menina te dá um pontapé na escola, não deves fazer-lhe o mesmo porque vais magoá-la (…). E se disseres: "Não gosto que me deem pontapés – por favor, não voltes a fazer isso", está certo! Isto ajuda a acabar com o problema sem magoares nada nem ninguém.

2. Quando magoares alguém por fazeres alguma coisa errada, reconhece que fizeste mal e pede desculpa. Tenta encontrar uma maneira de fazeres a outra pessoa sentir-se melhor.

3. Alguma vez sentiste que estás a ter um mau dia? Talvez estejas cansado e irritado. Não podes evitar a maneira como te sentes, mas podes mudar a tua maneira de agir. Não tens que ser mau quando estás zangado. Tu mandas na tua boca, nas tuas mãos e nos teus pés. Tens poder para fazer o que está certo.

4. Por vezes as crianças pensam que, para que gostem delas, têm de ser como as outras crianças. É normal querer pertencer a um grupo. Mas não penses que tens de fazer disparates só para pertenceres ao grupo.
  
5. Quando estás a discutir com alguém, existem outras hipóteses para além de lutar. Podes conversar ou não ligar. Não está certo lutar. Usa o teu poder pessoal em prol da paz.

6. Cada vez que não te vingas de alguém que te magoou, tornas o mundo mais pacífico. Cada vez que defendes os direitos de alguém, tornas o mundo mais justo.

7. "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti". O que significa: tenta tratar os outros da mesma maneira que queres que te tratem a ti.

8. Existem algumas palavras mágicas que poderão levar-te longe no mundo e fazer os outros sentirem-se bem. São palavras como "Por favor", "Obrigado", "Desculpe", "Sinto muito". Palavras como "Despacha-te" ou "Cala-te" não são palavras mágicas. Apenas servem para aborrecer as pessoas.

9. É bom partilhares os teus sentimentos com os outros – mas com respeito. Isto pode ser difícil quando não concordas com os outros ou quando estás zangado. Mas existem maneiras de partilhares os teus sentimentos e de te preocupares ao mesmo tempo com os sentimentos dos outros.
Em vez de dizeres algo como "Porque me empurraste, seu estúpido?", podes dizer "Magoaste-me quando me empurraste. Podes tentar ser mais cuidadoso?".

10. Deves tratar todas as pessoas com respeito e justiça, independentemente da idade, da cor da pele ou das suas crenças.



Fontes: Lisa O. Engelhardt, Errado e certo e ficar liberto; Lisa O. Engelhardt, Respeitar-ousar ser justo e partilhar


30 de janeiro - Dia escolar da não-violência e da paz

Compreender o bullying

Bullying é um termo inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, sem motivação evidente, adotados por um ou mais alunos contra outro, causando dor, angústia e sofrimento e executados dentro de uma relação desigual de poder.
Aos indivíduos que praticam este tipo de atos dá-se o nome, em inglês de bully, que significa “valentão”, caracterizando o indivíduo como muito valente, decidido, intrépido, audaz, corajoso, que não tem medo, destemido. Porém, essas qualidades são usadas para abuso de poder, para tiranizar, praticar crueldade, oprimir, perseguir. O bully é extremamente impiedoso, insensível à dor do outro e totalmente desprovido de amor.
O bullying acontece em todos os ambientes escolares, com maior frequência na sala de aula, no pátio de recreio, corredores, casas de banho e transporte escolar.
É importante identificar estas situações precocemente, quer na escola, quer em casa, para poder atuar o mais rapidamente possível.

Na escola:
Nos trabalhos em grupo ou jogos, o aluno vítima de bullying é o último a ser escolhido, é alvo de “gozo”, apelidos, é triste, deprimido, aflito, ansioso, irritadiço, agressivo, apresenta súbita queda no rendimento escolar, não faz perguntas, não tira dúvidas, tem desinteresse pelos estudos, falta com frequência às aulas, apresenta arranhões, ferimentos, isola-se dos demais, apresenta material escolar e roupas danificados, é intimidado, perseguido ou maltratado.

Em casa:

O aluno vítima de bullying não quer ir à escola, pede para mudar de escola, não gosta da escola, na segunda-feira está triste, chora sem razão, tira notas baixas, pede dinheiro sem necessidade, tem pesadelos, pede para ser levado à escola, perde dinheiro e pertences, apresenta roupas e livros rasgados, some objetos de sua casa, apetite obsessivo, não convida amigos para ir a sua casa, fica aliviado na sexta-feira, feriados e férias, simula dores e mal-estar, muda o trajeto, comenta que o professor é chato, não é convidado para festas ou casa de amigos, tem medo de ir e voltar sozinho, tem “ar” de assustado, tranca-se no quarto, isola-se, tem uma tristeza profunda.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Duas visões sobre o Holocausto



Comemora-se hoje, dia 27 de janeiro, o Dia em Memória do Holocausto. Foi neste preciso dia, em 1945, que se deu a libertação do campo de concentração de Auschwitz Birkenau.



Apresentamos hoje duas visões sobre esse período negro da Humanidade: uma retirada da obra de um sobrevivente, o judeu italiano Primo Levi; outra, retirado do diário de uma das vítimas dos campos de concentração alemães, Anne Frank.



Primo Levi, “Se isto é um homem”, Publicações D. Quixote

"Os vagões eram doze, e nós seiscentos e cinquenta; no meu vagão, éramos só quarenta e cinco pessoas, mas tratava-se de um vagão pequeno. Aqui estava, pois, debaixo dos nossos olhos, debaixo dos nossos pés, um dos famosos comboios militares alemães, aqueles que não voltam, aqueles de que, estremecendo e sempre um pouco incrédulos, tantas vezes ouvíramos falar. Assim mesmo, ponto por ponto: vagões de mercadorias, fechados por fora, e lá dentro homens, mulheres, crianças, apinhados sem piedade, como mercadoria barata, em viagem para o nada, em viagem para baixo, para o fundo. Desta vez, somos nós que estamos lá dentro." (p. 15)



“Uma dezena de SS, mantinha-se à distância, com as pernas afastadas e olhar indiferente. A um dado momento, aproximaram-se e, sem elevar a voz, com um ar impassível, começaram a interrogar alguns de nós, colocando-os à parte, rapidamente: “Que idade tens? De boa saúde ou doente?”. De acordo com a resposta,  parte do grupo dos homens válidos. O que aconteceu aos outros, mulheres, crianças, idosos, nunca o soubemos: a noite engoliu-os, pura e simplesmente. Hoje, no entanto, sabemos que esta triagem rápida e sumária serviu para verificar se éramos ou não capazes de trabalhar para o Reich (…)” (p. 18)



"Häftling [prisioneiro]: aprendi que sou um Häftling. O meu nome é 174 517; fomos baptizados, guardaremos até à morte a marca tatuada no braço esquerdo." (p. 26)







Primo Levi passou pelos horrores de um campo de concentração, mas conseguiu sobreviver. A mesma sorte não teve Anne Frank que, depois de viver escondida com a família num anexo da empresa do pai, acabou por ser presa e enviada para o campo de Bergen-Belsen, onde morreria de febre tifoide.

Durante o tempo em que esteve escondida foi escrevendo o seu diário, através do qual podemos testemunhar as dificuldades por que passaram as judeus nos territórios ocupados pelos alemães.



Anne Frank, Diário, Edições Livros do Brasil

“Como somos judeus, emigrámos, em 1933, para a Holanda, onde o meu pai da Travis-A.-G. (…) A nossa vida decorria com as aflições do costume, pois as pessoas de família que ficaram na Alemanha não escaparam às perseguições de Hitler (…) A partir de 1940 foram-se acabando os bons tempos. Primeiro veio a guerra, depois a capitulação, em seguida a entrada dos alemães. E então começou a miséria. A uma lei ditatorial seguia-se outra; e, em especial para os judeus, as coisas começaram a ficar feias. Obrigaram-nos a usar a estrela e a entregar as bicicletas; não nos deixavam andar nos carros elétricos e muito menos de automóvel. Os judeus só podiam fazer compras das 3 às 5 horas – e só em lojas judaicas. Não podiam sair à rua depois das oito da noite e nem sequer ficar no quintal ou na varanda. Não podiam ir ao teatro nem ao cinema, nem frequentar qualquer lugar de divertimentos (…)” (pp. 20-21)

“Os nossos amigos e conhecidos judaicos são deportados em massa. A Gestapo trata-os sem a menor consideração. Em vagões de gado leva-os para Westerbork, o campo para judeus. Westerbork deve ser um sítio horrível. Estão lá milhares de pessoas e nem há sequer lavatórios nem WC que, de longe, cheguem para todos. (…) A emissora inglesa fala de câmaras de gás. De qualquer forma talvez seja a câmara de gás a maneira mais rápida de se morrer… “







Porque é importante lembrar para que não se volte a repetir…