segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Duas visões sobre o Holocausto



Comemora-se hoje, dia 27 de janeiro, o Dia em Memória do Holocausto. Foi neste preciso dia, em 1945, que se deu a libertação do campo de concentração de Auschwitz Birkenau.



Apresentamos hoje duas visões sobre esse período negro da Humanidade: uma retirada da obra de um sobrevivente, o judeu italiano Primo Levi; outra, retirado do diário de uma das vítimas dos campos de concentração alemães, Anne Frank.



Primo Levi, “Se isto é um homem”, Publicações D. Quixote

"Os vagões eram doze, e nós seiscentos e cinquenta; no meu vagão, éramos só quarenta e cinco pessoas, mas tratava-se de um vagão pequeno. Aqui estava, pois, debaixo dos nossos olhos, debaixo dos nossos pés, um dos famosos comboios militares alemães, aqueles que não voltam, aqueles de que, estremecendo e sempre um pouco incrédulos, tantas vezes ouvíramos falar. Assim mesmo, ponto por ponto: vagões de mercadorias, fechados por fora, e lá dentro homens, mulheres, crianças, apinhados sem piedade, como mercadoria barata, em viagem para o nada, em viagem para baixo, para o fundo. Desta vez, somos nós que estamos lá dentro." (p. 15)



“Uma dezena de SS, mantinha-se à distância, com as pernas afastadas e olhar indiferente. A um dado momento, aproximaram-se e, sem elevar a voz, com um ar impassível, começaram a interrogar alguns de nós, colocando-os à parte, rapidamente: “Que idade tens? De boa saúde ou doente?”. De acordo com a resposta,  parte do grupo dos homens válidos. O que aconteceu aos outros, mulheres, crianças, idosos, nunca o soubemos: a noite engoliu-os, pura e simplesmente. Hoje, no entanto, sabemos que esta triagem rápida e sumária serviu para verificar se éramos ou não capazes de trabalhar para o Reich (…)” (p. 18)



"Häftling [prisioneiro]: aprendi que sou um Häftling. O meu nome é 174 517; fomos baptizados, guardaremos até à morte a marca tatuada no braço esquerdo." (p. 26)







Primo Levi passou pelos horrores de um campo de concentração, mas conseguiu sobreviver. A mesma sorte não teve Anne Frank que, depois de viver escondida com a família num anexo da empresa do pai, acabou por ser presa e enviada para o campo de Bergen-Belsen, onde morreria de febre tifoide.

Durante o tempo em que esteve escondida foi escrevendo o seu diário, através do qual podemos testemunhar as dificuldades por que passaram as judeus nos territórios ocupados pelos alemães.



Anne Frank, Diário, Edições Livros do Brasil

“Como somos judeus, emigrámos, em 1933, para a Holanda, onde o meu pai da Travis-A.-G. (…) A nossa vida decorria com as aflições do costume, pois as pessoas de família que ficaram na Alemanha não escaparam às perseguições de Hitler (…) A partir de 1940 foram-se acabando os bons tempos. Primeiro veio a guerra, depois a capitulação, em seguida a entrada dos alemães. E então começou a miséria. A uma lei ditatorial seguia-se outra; e, em especial para os judeus, as coisas começaram a ficar feias. Obrigaram-nos a usar a estrela e a entregar as bicicletas; não nos deixavam andar nos carros elétricos e muito menos de automóvel. Os judeus só podiam fazer compras das 3 às 5 horas – e só em lojas judaicas. Não podiam sair à rua depois das oito da noite e nem sequer ficar no quintal ou na varanda. Não podiam ir ao teatro nem ao cinema, nem frequentar qualquer lugar de divertimentos (…)” (pp. 20-21)

“Os nossos amigos e conhecidos judaicos são deportados em massa. A Gestapo trata-os sem a menor consideração. Em vagões de gado leva-os para Westerbork, o campo para judeus. Westerbork deve ser um sítio horrível. Estão lá milhares de pessoas e nem há sequer lavatórios nem WC que, de longe, cheguem para todos. (…) A emissora inglesa fala de câmaras de gás. De qualquer forma talvez seja a câmara de gás a maneira mais rápida de se morrer… “







Porque é importante lembrar para que não se volte a repetir…

In Memoriam


Comemora-se hoje o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, assinalando o dia em que as tropas soviéticas libertaram o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.


Transcrevemos abaixo parte do discurso proferido por Sua Excelência, o anterior Secretário-Geral da ONU, Sr. Ban Ki-moon, em 2012:
“Um milhão e meio de crianças judias morreram no Holocausto — vítimas da perseguição dos nazis e seus apoiantes. Dezenas de milhares de outras crianças também morreram. Isso incluía pessoas com deficiência assim como ciganos. Todos foram vítimas de uma ideologia inspirada pelo ódio que os classificou como “inferiores”.
Muitas crianças ficaram órfãs da guerra ou foram arrancadas às suas famílias. Muitas morreram de fome, doenças ou às mãos de quem as maltratou. Nunca saberemos como essas crianças poderiam ter contribuído para o nosso mundo.
E entre os sobreviventes, muitos estavam demasiadamente abalados para contar suas histórias. Hoje, queremos dar voz a esses relatos. É por isso que as Nações Unidas continuam a transmitir os ensinamentos universais tirados do Holocausto. E é por isso que nós nos esforçamos para promover os direitos e as aspirações de todas as crianças todos os dias em todo o mundo.
Hoje, ao recordar todos aqueles que perderam sua vida no Holocausto — desde crianças até adultos –, peço que todas as nações protejam os mais vulneráveis, independente de raça, cor, género ou religião.
As crianças são especialmente vulneráveis ao pior da humanidade. Devemos mostrar-lhes o melhor que este mundo tem para oferecer. Obrigado.”

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

Tertúlia de Leituras -Direitos Humanos

No âmbito do Ler+Qualifica, projeto de parceria entre o Centro Qualifica e as Bibliotecas Escolares, convidamos a participar na 1ª Tertúlia de Leituras-Direitos Humanos, no dia 10/12/2019, pelas 19 horas, na Biblioteca da Escola Secundária da Moita.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Declaração Universal dos Direitos da Criança



No dia 20 de novembro de 1959, foi assinada a Declaração Universal dos Direitos da Criança, na sequência da Declaração de Genebra dos Direitos da Criança de 1924 e da Declaração Universal dos Direitos do Homem.





De uma forma geral, os direitos proclamados são os seguintes:

1 – Direito à  igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade.

2 - Direito a especial proteção para o seu desenvolvimento físico, mental e social.

3 - Direito a um nome e a uma nacionalidade.

4 - Direito a alimentação, moradia e assistência médica adequadas para a criança e a mãe.

5 - Direito a educação e a cuidados especiais para a criança física ou mentalmente deficiente.

6 - Direito ao amor e à compreensão por parte dos pais e da sociedade.

7 - Direito a educação gratuita e ao lazer infantil.

8 - Direito a ser socorrido em primeiro lugar, em caso de catástrofes.

9 - Direito a ser protegido contra o abandono e a exploração no trabalho.

10 - Direito a crescer dentro de um espírito de solidariedade, compreensão, amizade e justiça entre os povos.





No entanto, ainda hoje somos confrontados com situações que, dia a dia, nos lembram o quão longe estamos ainda de respeitar todos estes direitos.

Cabe-nos a todos, enquanto sociedade, lutar para que estes direitos sejam efetivamente respeitados e aplicados.

Algumas das imagens publicadas a seguir poderão ferir algumas suscetibilidades, mas o seu objetivo é, acima de tudo, alertar as consciências para um problema que continua atual, ainda hoje.













Para conhecer melhor o documento da Declaração Universal dos Direitos da Criança, pode consultar os seguintes sites:
UNICEF


Cabe a todos nós, em cada dia que passa, zelar para que estes direitos sejam protegidos.

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Atividades do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares na Escola Básica nº 2 da Moita



Ao longo dos meses de outubro e novembro realizaram-se, na Escola Básica nº 2 da Moita, várias atividades integradas nas comemorações do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares:

- Exposições comemorativas de efemérides;
- Comemoração do aniversário da Biblioteca, com uma sessão de "Hora do Conto" para as crianças da Educação Pré-Escolar;
- Sessões de formação de utilizadores, para os diferentes anos de escolaridade;
- Sessão de literacia da informação: "Como trabalhar com o dicionário",  com a turma B2.6;
- Sessão Pordata Kids, com aturma B2.10.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

10 minutos de leitura: Conta um conto...





























Japanase Red: conheça uma história hilariante sobre um antiquário.
Língua: Inglês






As bibliotecas escolares do Agrupamento de Escolas da Moita desafiam-vos a participar nas atividades de celebração do Mês Internacional das Bibliotecas Escolares em outubro.

Na Escola Básica da Moita Nº2:

Comemoração do aniversário da Biblioteca

Hora do conto

Formação de utilizadores- Conhecer a biblioteca



Na Escola Básica 2/3 D.Pedro II:

Exposição de Fotografia "A Moita e o Mar", de Vítor Vargas 

Leitura de imagem (das fotografias)  e "Vamos imaginar" histórias - escrita criativa e atelier de ilustração



Na Escola Secundária da Moita:

Desafio 1 “Imagina a Biblioteca do Futuro”

Desafio 2 “Conta um conto…- 10 minutos de Leitura”

Formação de Utilizadores – “Descobrir a Biblioteca” e “Como pesquisar”

Formação para Docentes - Cidadania Digital: recursos para professores


Maria Helena Vieira da Silva, Biblioteca , 1949(114 x 146 cm, óleo s/ tela)


terça-feira, 15 de outubro de 2019

Nós por cá... Exposição sobre a escritora Manuela Ribeiro

Tem estado patente na Biblioteca da Escola Básica nº 2 da Moita uma exposição sobre a escritora Manuela Ribeiro, que nos visitou no ano letivo transato.


Biografia de Manuela Ribeiro
Manuela Ribeiro nasceu nas Caldas da Rainha em 1951.
Formação académica:
- licenciatura em Estudos Germanísticos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa;
- curso de língua italiana no Instituto Italiano de Cultura (Lisboa).
Pertenceu ao Grupo de Teatro Alemão do Goethe Institut, tendo participado na peça Die Erorberung der Prinzessin Turandot, de Wolfgang Hildesheimer.
Foi professora de Português, Inglês e Alemão nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico.
Durante quatro anos foi professora na Escola de Produção e Formação Profissional da Liga Portuguesa dos Deficientes Motores, onde foi também responsável pela organização e dinamização da Biblioteca, do Jornal de Parede PRINCIPAL, do Clube do Inglês e do Grupo de Teatro OS PESTINHAS. Foi ainda professora cooperante na prática pedagógica de Inglês de alunos do Instituto Politécnico de Leiria.
Traduziu diversas obras para o Círculo de Leitores, Edições 70, Editorial Teorema e Relógio d’Água.
Foi responsável pela adaptação para língua portuguesa do projeto inglês “Lost My Name”.
Tem trabalhos incluídos em DA POESIA – Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea, Volume VI, Editorial Minerva.
Atualmente dedica a maior parte do seu tempo à escrita e a dinamizar sessões de promoção da leitura em escolas e bibliotecas de todo o País.

Obras publicadas

Coleção Aventuras de Miguel e Ricardo:
1 – Um Rapto em Londres, 1998

2 – O Assalto à Quinta, 1999
3 – Operação Marmelada, 2000
4 – Um Mistério Até ao Fim, 2001
5 – O Ladrão da Casa da Música, 2001
6 – Pozinhos de Espirrar, 2002
7 – Chuteiras Voadoras, 2003 

8 – O Cantor Careca, 2004
9 – O Código Turquesa, 2006
10 – O Enigma dos Sacos Trocados, 2009


Coleção Aventura de viver:
1 – Horas de Acordar, 2005
2 – Eu Sou Bom Mas Não Me Gabo

Coleção Para os mais pequenos:
1 – Castanho & Branco, 2014 

2 – A Plantinha dos meus Pais, 2015
3 – História do Senhor Sisudo que sabia Tudo Tudo, 2015 

4 – História que há de ser, 2016
5 – Um dia cá dos meus, 2016
6 – O caracolito Lito, 2018
7 – As 4 Estações e outras Complicações, 2018 


Fora de coleção:
1 – Versos para meninos que comem sempre a sopa toda, 2017 

2 – Uma letra, mil palavras, 2017