domingo, 15 de abril de 2018

Concurso Faça Lá um Poema

Já saíram os resultados do concurso "Faça lá um Poema". 
Os poemas enviados pelo nosso Agrupamento apesar de lindíssimos não foram escolhidos.
Mas para nós tem aqui um lugar de honra.
Parabéns aos nossos alunos!


Leiam e opinem:

Amor brotando tanto que se vai

Ó ninfas do Sado,
Que bailam ao meu lado!
Perdendo-me eu em vós,
Pensando-nos como um nós.

Ó belas criaturas,
De cabelos ondulantes
E de vestes nuas,
Não me deixem.

Quero-vos eu, minha ninfa,
Que me lago em ternura,
De vos ver em tamanha animação
E de outros cavalheiros crua.

Chegai-vos a mim,
Deixai-nos flutuar juntos,
Abraçai-me sem fim à vista,
Até que estejamos longe da cidade
E não saibamos (já) o quanto dela dista.

Afundai-vos em minha carne
Como eu já me afundei em vós,
Permite-vos grande doçura
E nadar comigo sem amargura.

Não deixai que pinga de amor
Nestas águas se dissolva,
Escolho-vos eu e só a vós,
Para que minha ninfa se comova.

Demova-se por favor,
De me abandonar na corrente,
Porque meu princípio é eterno
Mas meu amor por si chegará a velho.

Pois meu peito ardente,
Por vosso leito quente
Se derrete,
E de pasmar torna-se vosso o encanto
Que todo o dia nasce, mas no entanto,
Se vai sem se perceber.

Nimsay XXI.I.MMXVIII



No mar meu

Poemas e poesias,
São almas e maresias,
Nadando em alto mar
Para que todos as possam ouvir cantar.

Sei bem que vós,
De grande ego ardente,
Contrasteis com minha voz,
Ela de tão peito e ar potente.

Adamastor por mim se enamorou,
A todos os deuses o me ouvi louvar,
Pegou na água e em minha alma
Até do antigo ele já nada restar.

No vento marítimo
O oiço chorar,
Mas nem lágrima nem sorriso
Por ele hei-de mostrar.

Ele sabe o que fez:
Ousar amar perfeita e linda gente,
Comparar-se à minha imensidão,
E desejar meu coração
Não lhe deu por certo dos deuses aprovação.

Cegaram-no então de minha visão,
Deram-lhe somente o meu toque,
Constante e tortuoso,
Para que nele causasse infinito alvoroço.

O castigo foi ditado,
Agora deixem que o dite a ele,
Pois fugir da nossa laia
E pensarmo-nos como exceção,
Apenas nos dá amarga e ingloriosa distinção.

Nimsay II.MMXVIII

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