terça-feira, 31 de outubro de 2017

Histórias de Halloween

Um Susto de História com uma Bruxa Feia e um Gato Preto

A noite estava completamente escura mas não chovia… A temperatura até estava quente para a época, mas o gato preto estava enroscado perto do lume. Dormitava. De vez em quando abria um olho a controlar os movimentos da dona.
A fraca luz, na cozinha de paredes escurecidas pelo fumo, não deixava ver grande coisa, mas os gestos – à custa de tantas repetições – já quase podiam ser feitos de olhos fechados.
A velhinha, completamente vestida de negro, entoava a sua cantilena, enquanto mexia o conteúdo da panela enegrecida pelo fumo da lenha.
Estás a imaginar a cena, não estás? O que tu não imaginarias – nem ela, provavelmente – é que, nas redondezas, uma figura baixota, atarracada, mas com um chapéu enorme que parecia fazê-la mais alta e roupas negras que praticamente a tornavam invisível no negro da noite se encaminhava para sua casa e estava, aliás, já ali bem perto.
O chapéu em cone, de abas largas e de cor também negra; as roupas que vestia e sobretudo aquela cara, em que não faltava um nariz disforme, onde saltava à vista uma verruga – Sim! Tinha uma enorme verruga no nariz – a vassoura que trazia numa das mãos e arrastava pelo chão… não havia engano possível… quem se aproximava, a coberto da noite, era uma figura verdadeiramente sinistra.
Dentro de casa, calmamente, a velhinha lançava na panela uma pequena quantidade de algo que tirara de um dos frascos alinhados no aparador perto de si – uma medida sabiamente afinada pela experiência de muitos anos.
A sobrepor-se aos fracos sons que resultavam dos gestos tantas vezes repetidos e à sua voz ainda melodiosa, ouviram-se cinco fortes pancadas na porta.
O gato abriu os olhos, levantou-se, eriçou os pelos, arqueou a coluna e saltou na direcção donde viera aquele barulho que o incomodara no seu sono. A velhinha, sobressaltada, calou-se e parou de mexer a panela negra de onde saíam abundantes vapores e, penosamente, dirigiu-se à porta.
As mãos da simpática velhinha tremiam… e não era de frio.
Como já te contei, a temperatura até estava agradável…
O quê! Pensavas que era uma bruxa? Embora pudesse parecer, não! Não era uma bruxa! Era mesmo apenas uma velhinha que, com mão trémula, abriu a porta devagar…
Olhou a bruxa nos olhos – olhos que mal se viam na carantonha horrível…
Esta sim, era uma bruxa! Aquela cara feiosa, com a enorme verruga no nariz – também ele bastante avantajado e adunco – e um ar malévolo era, sem ponta de dúvida, a de alguém que queria assustar, que queria que ninguém tivesse dúvidas de que estava na presença de uma bruxa má.
A velhinha, com uma voz onde o susto parecia genuíno, perguntou:
- Porque é que tens uma cara tão feia?
- É para te pregar um susto! Um susto tão, tão grande…
E a bruxa esticava os braços, num gesto sugestivo, a ameaçar a velhinha de horrores enormes.
- Só escapas se me deres já… aquilo que já sabias que eu hoje… cá viria procurar!
E a bruxa entrou pela casa com o ar decidido de quem sabe bem o que quer. Já dentro da casa a sinistra figura pôs a mão à cara horrenda e, determinada, puxou pelo nariz.
Com a outra mão, pegou em algo que os dedos trémulos da velhinha seguravam… e levou à boca. Depois, com a beiça lambuzada do chupa-chupa, deu um beijo doce à avó.
A vassoura, a máscara e o chapéu do disfarce do dia das bruxas lá ficaram, atirados para um canto.
Entretanto a bruxinha notou:
- Cheira bem! Estavas a cozinhar?
- Estou a fazer sopa. Está quase pronta. Queres um pratinho?
- Claro! Isso pergunta-se? A sopa da avó é a melhor do mundo. O resto do chupa fica para depois…
E a menina deu a mão à avó e, seguidas pelo pachorrento gato preto, dirigiram-se à cozinha.


João Alberto Roque | publicado em www.infantilidades.wordpress.com



A Cozinha da Bruxinha

Era dia de festa. Giselda chamou a bruxarada para se reunir em sua casa, que ficava numa montanha bem alta. E festa em casa de bruxa já se sabe como é: muita comida, poções mágicas e principalmente muita música e alegria!
As crianças não perderam tempo e foram para floresta chamar os seus amiguinhos encantados. O gnomo Imp, conhecido como amigo das crianças não pensou duas vezes e aceitou o convite.
- Vai haver pudim de nuvem? – perguntou já com água na boca.
Dadinha, a bruxinha filha de Giselda, respondeu com orgulho:
- Mas é claro, que vai haver pudim de nuvem; eu mesma fiz!
Imp, o gnomo, torceu o nariz e disse:
- Quando esta bruxinha entra na cozinha… sai de baixo, que lá vem raio!
Todas as crianças riram, mas a bruxinha Dadinha não gostou. Ficou triste, quase a chorar, pois tentava ser igual à sua mãe, Giselda, que cozinhava pratos maravilhosos da culinária mágica das bruxas – receitas que ela aprendera com sua mãe, que aprendeu com sua avó…
Mas tudo bem, era festa. As crianças voltaram para a casa da montanha. Era um corre, corre, um zumzumzum… havia até banda de música fazendo a maior animação!
O almoço foi servido numa grande mesa, no jardim. Era um verdadeiro banquete. Fazia um dia maravilhoso, o sol estava dourado como um pingo de ouro, e o céu tão azul… O prato principal era arroz com ervas perfumadas e frango, regado com néctar das flores. Para acompanhar, farofa de pó de estrela, que Giselda apanhou do céu na noite anterior, quando passeava na sua vassoura.
Os convidados comeram que se lambuzaram; tudo tinha um gosto de “quero mais!”. Todos agradeceram ao deus e à deusa pelo dia maravilhoso e ensolarado, pelo alimento e pela confraternização entre os amigos. E quando todos iam se levantar da mesa:
- Hei, gente, há sobremesa! – gritou Dadinha – Fui eu que fiz. E sozinha!
Todos se entreolharam, porque já conheciam a fama da bruxinha. Ela até tinha boa vontade, mas não tinha mão para a cozinha… os cozinhados das bruxas têm que ter concentração! É necessário mentalizar as palavras certas, medir bem os ingredientes e ter muita, mas muita, paciência! E Dadinha não era nada paciente, apesar de ser muito encantadora.
Mas todos tiveram uma grande surpresa! A menina trouxe o grande prato de pudim de nuvem, todos ficaram com água na boca só de olhar!
- Que bela aparência! – comentou um garoto.
- Deve estar delicioso! – pensaram outros.
A bruxinha, orgulhosa, deu a primeira fatia à sua mãe, que provou e aprovou! Todos comiam e davam os parabéns à menina, e o pudim estava tão gostoso que se esqueceram que quando se come essa sobremesa feita com nuvens do céu tem que se dizer as palavra mágicas: ”Doce como o mel, que coisa louca, que não se faça chuva no céu da boca”.
Quando um dos convidados se lembrou, já era tarde demais e por causa disso, de repente, o céu fechou, uma grande nuvem negra se formou e uma tempestade forte surpreendeu todos! Ficaram todos molhados!
Mas quem pensou que a chuva acabou com a festa, enganou-se! A banda continuou a tocar e todos dançaram formando uma grande ciranda.
Deste dia em diante, a bruxinha não errou mais nas receitas; só fez comidinhas mágicas bem gostosas e ganhou o título de Mestra Cuca Mirim da Cozinha da Bruxa. Não havia festa para que não fosse convidada, com pedidos para que levasse os seus doces. E não houve um só canto daquele mundo encantado que não passasse a conhecer a fama da cozinha da bruxinha!

Adaptado do conto de Anne Glauce Freire publicado em www.virtualbooks.terra.com.br

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