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25 de Abril

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Hoje, dia 25 de Abril, comemora-se a "Revolução dos cravos" que pôs fim a um regime ditatorial iniciado oficialmente em 1933 (embora Portugal já vivesse de facto numa ditadura desde 1926).  Um dos aspetos mais marcantes do período de ditadura que se viveu em Portugal foi a repressão das liberdades individuais, nomeadamente da liberdade de expressão. A censura obrigava muitos autores a ter um cuidado redobrado com o que escreviam, para conseguir escapar ao "temível lápis azul da censura". Manuel Alegre, na sua "Trova do vento que passa" (tão bem cantada por Adriano Correia de Oliveira ), retrata bem essa realidade. Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça o vento nada me diz. (...) Pergunto à gente que passa por que vai de olhos no chão. Silêncio - é tudo o que tem quem vive na servidão. Com o 25 de abril de 1974, a população portuguesa soube finalmente o que era viver em liberdade. É at...

Menu de Leitura "A poesia ao pé de mim"

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 Partindo do título de um livro de José Fanha e Daniel Completo, a Biblioteca Escolar do 1º ciclo elaborou mais um Menu de Leitura, procurando sensibilizar os pequenos leitores para o texto poético. O Menu "A poesia ao pé de mim" é apenas uma pequena seleção dos livros de poesia existentes no fundo documental da Biblioteca Escolar.

Poemas de Abril

  Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades   Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança: Todo o mundo é composto de mudança, Tomando sempre novas qualidades.   Continuamente vemos novidades, Diferentes em tudo da esperança: Do mal ficam as mágoas na lembrança, E do bem (se algum houve) as saudades.   O tempo cobre o chão de verde manto, Que já coberto foi de neve fria, E em mim converte em choro o doce canto.   E afora este mudar-se cada dia, Outra mudança faz de mor espanto, Que não se muda já como soía.   Luís Vaz de Camões, in "Sonetos" Interpretado por José Mário Branco

Poemas de Abril

  Livre   Não há machado que corte A raiz ao pensamento Não há morte para o vento Não há morte   Se ao morrer o coração Morresse a luz que lhe é querida Sem razão seria a vida Sem razão   Nada apaga a luz que vive Num amor num pensamento Porque é livre como o vento Porque é livre.   Carlos de Oliveira, “O nosso amargo cancioneiro”

Poemas de Abril

  Salgueiro Maia   Ficaste na pureza inicial Do gesto que liberta e se desprende. Havia em ti o símbolo e o sinal Havia em ti o herói que não se rende.   Outros jogaram o jogo viciado Para ti nem poder nem sua regra. Conquistador do sonho inconquistado Havia em ti o herói que não se integra.   Por isso ficarás como quem vem Dar outro rosto ao rosto da cidade. Diz-se o teu nome e sais de Santarém   Trazendo a espada e a flor da liberdade.   Manuel Alegre, in País de Abril

Poemas de Abril

  O Dia da Liberdade 25 de Abril   Este dia é um canteiro com flores todo o ano e veleiros lá ao largo navegando a todo o pano. E assim se lembra outro dia febril que em tempos mudou a história numa madrugada de Abril, quando os meninos de hoje ainda não tinham nascido e a nossa liberdade era um fruto prometido, tantas vezes proibido, que tinha o sabor secreto da esperança e do afecto e dos amigos todos juntos debaixo do mesmo tecto.   José Jorge Letria in O livro dos dias

Poemas de Abril

  O que aquela noite me quis dar   Eu não estava em casa nessa noite, filho, nem podia estar. Estava nas ruas com os soldados que rumavam às rádios e aos quartéis, engalanados de sombra e de júbilo, a ver o que aquela noite ia dar, o que a nossa liberdade prometia ser. E tu, filho, tinhas a idade rumorejante desse Abril embalado por uma canção do Zeca. Como posso eu explicar-te tudo aquilo que tu nasceste para aprender, para viver? Eu estava aquartelado no meu silêncio de pétalas, sílabas e marés, no meu dédalo de vozes embriagadas pelo vento, na coragem errante das pelejas da infância e pouco ou nada sabia do mistério desse mês capaz de transformar em assombro as nossas vidas.   Sim, sou eu neste retrato antigo, a receber em festa os exilados, os que chegavam com grinaldas de cantigas e a flor de uma ilusão bordada a sangue e espuma no capote das nocturnas caminhadas. Sim, sou eu a escrever a primeira reportagem do primeiro de ...

Poemas de Abril

  Grândola, vila morena   Grândola, vila morena Terra da fraternidade O povo é quem mais ordena Dentro de ti, ó cidade   Dentro de ti, ó cidade O povo é quem mais ordena Terra da fraternidade Grândola, vila morena   Em cada esquina um amigo Em cada rosto igualdade Grândola, vila morena Terra da fraternidade   Terra da fraternidade Grândola, vila morena Em cada rosto igualdade O povo é quem mais ordena   À sombra duma azinheira Que já não sabia a idade Jurei ter por companheira Grândola a tua vontade. Zeca Afonso, 1971

Poemas de Abril

  As mãos   Com mãos se faz a paz se faz a guerra Com mãos tudo se faz e se desfaz Com mãos se faz o poema – e são de terra. Com mãos se faz a guerra – e são a paz.   Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra. Não são de pedra estas casas mas de mãos. E estão no fruto e na palavra as mãos que são o canto e são as armas.   E cravam-se no Tempo como farpas as mãos que vês nas coisas transformadas. Folhas que vão no vento: verdes harpas.   De mãos é cada flor cada cidade. Ninguém pode vencer estas espadas: nas tuas mãos começa a liberdade.   Manuel Alegre, in “O Canto e as Armas”

Poemas de Abril

  Menina dos olhos tristes   Menina dos olhos tristes o que tanto a faz chorar o soldadinho não volta do outro lado do mar.   Vamos senhor pensativo olhe o cachimbo a apagar o soldadinho não volta do outro lado do mar.   Senhora de olhos cansados porque a fatiga o tear o soldadinho não volta do outro lado do mar.   Anda bem triste um amigo uma carta o fez chorar o soldadinho não volta do outro lado do mar.   A lua que é viajante é que nos pode informar o soldadinho já volta está mesmo quase a chegar. Vem numa caixa de pinho do outro lado do mar desta vez o soldadinho nunca mais se faz ao mar.     Zeca Afonso

Poemas de Abril

  25 de Abril   Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do tempo   Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"

Poemas de Abril

  Trova do Vento que Passa   Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça o vento nada me diz.   Pergunto aos rios que levam tanto sonho à flor das águas e os rios não me sossegam levam sonhos deixam mágoas.   Levam sonhos deixam mágoas ai rios do meu país minha pátria à flor das águas para onde vais? Ninguém diz.   Se o verde trevo desfolhas pede notícias e diz ao trevo de quatro folhas que morro por meu país.   Pergunto à gente que passa por que vai de olhos no chão. Silêncio - é tudo o que tem quem vive na servidão.   Vi florir os verdes ramos direitos e ao céu voltados. E a quem gosta de ter amos vi sempre os ombros curvados.   E o vento não me diz nada ninguém diz nada de novo. Vi minha pátria pregada nos braços em cruz do povo.   Vi meu poema na margem dos rios que vão pró mar como quem ama a viagem mas tem sempre de ficar. Vi nav...

Poemas de Abril

  Os medos   É a medo que escrevo. A medo penso. A medo sofro e empreendo e calo. A medo peso os termos quando falo A medo me renego, me convenço   A medo amo. A medo me pertenço. A medo repouso no intervalo De outros medos. A medo é que resvalo O corpo escrutador, inquieto, tenso.   A medo durmo. A medo acordo. A medo Invento. A medo passo, a medo fico. A medo meço o pobre, meço o rico.   A medo guardo confissão, segredo. Dúvida, fé. A medo. A medo tudo. Que já me querem cego, surdo, mudo.   José Cutileiro, Os medos, in Versos da mão esquerda

Semana(s) de Leitura 2023 - Padlet colaborativo

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  Março é, por excelência, o mês do livro e da leitura. Vimos desafiar a comunidade educativa a entrar no mundo da poesia, através das atividades propostas no padlet colaborativo.

"O Dia da Água" - José Jorge Letria

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 O Dia da Água (22 de Março) Brota livre de uma fonte que nunca quis secar e corre  alegre e fresca até à beira do mar. Mata a sede, lava o corpo, rega os campos de lavrar e limpa os olhos do sono quando estamos a acordar. E se ela um dia acaba, de tão mal ser usada e por não ter, afinal, quem a saiba respeitar, ainda acabamos todos sem lágrimas para chorar. José Jorge Letria, O livro dos dias

"O Dia da Poesia" - José Jorge Letria

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 O Dia da Poesia (21 de Março) Este dia tem forma de verso e ameno tom de cantilena, deixando no calendário o perfume da rosa e do jasmim, e às vezes também o da açucena. Quando este dia começa, acordam com ele as palavras que não se deixam consumir nas velozes frases banais que enchem os anúncios e as páginas dos jornais. É um dia que se escreve com ou sem rima, tendo um título lá em cima que lembra sonho e magia e que afinal é sempre sinónimo de poesia. Este dia, quando nasce, põe estrelas nos olhos dos meninos que à luz dos versos parecem ainda mais pequeninos, porque a poesia é uma aventura que tem asas brancas de fada e o gosto tão doce da ternura. Este dia, quando nasce, acorda dentro de nós o diamante mais brilhante que ilumina a nossa voz. José Jorge Letria, O livro dos dias

"O Dia da Árvore" - José Jorge Letria

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 O Dia da Árvore (21 de março) Tem ramos este dia e frutos em todos eles. São ramos feitos de som, de seiva e de poesia. Viram-se os ramos para o céu e pedem mais luz ao sol e ar puro para respirar, para que o verde seja a cor que acende no nosso olhar esse gosto natural pelo que não pode acabar, seja o fulgor de uma rosa, seja a beleza do mar. José Jorge Letria, O livro dos dias

Poema em "G" - Luísa Ducla Soares

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  Poema em G   Graça  não gosta da guerra . Guilherme não gosta da guerra. Guida não gosta da guerra. A guerra matou-lhes o pai. A guerra queimou-lhes a casa. A guerra espantou-lhes o gado. Graça, Guilherme, Guida gritam. As granadas estoiram. Agora o sangue irriga as ruas. Graça, Guilherme, Guida querem gritar à gente grande que se fica sempre a perder, mesmo que os generais ganhem as guerras.     Luísa Ducla Soares, Poemas da Mentira e da Verdade